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Diante do cenário político atual do país, que infelizmente ainda apresenta tantos casos envolvendo corrupção eleitoral e saúde, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) resolveu lançar uma campanha para tratar exclusivamente desse tema. É a Campanha Voto não tem preço. Saúde é seu direito!, proposta para ajudar cidadãos e cidadãs a se prevenirem contra esse tipo de corrupção e, conhecendo seus direitos, se encorajarem a denunciar os casos constatados.
Muito do que é oferecido em troca de voto já é direito dos cidadãos e cidadãs. Além disso, é papel de todos nós trabalharmos para que uma nova cultura política se torne possível, com ética, transparência e respeito aos brasileiros e brasileiras que creditam sua confiança em políticos eleitos por meio do voto. Saúde não combina com nenhum tipo de troca, seja pela promessa de voto ou pela coerção do indivíduo.
A Plataforma dos movimentos sociais pela reforma do sistema político, reúne um conjunto de movimentos/articulações/redes/fóruns e se constitui como um processo de debate e de construção de propostas no sentido da radicalização da democracia. Iniciou em 2004 com o seminário “ Os sentidos da democracia e da participação” , depois em 2005 na formulação de estratégias para 10 anos. A Plataforma promoveu nesse período vários debates sobre o tema em diferentes espaços, congresso nacional, mídia, movimentos, debates nos estados, nos municípios, nos movimentos etc.
O que orientou a construção de novas estratégias foram quatro grandes questões:
1 - Como criar mecanismos de participação e controle social na política econômica, integrando-a com as outras políticas?
2 - Como pautar o debate da participação e do controle social no processo de discussão da reforma política?
3 - Como romper a fragmentação da atual “arquitetura da participação”, respeitando as nossas identidades? Como assegurar que os canais de participação dialoguem com o conjunto da sociedade? Pensar o papel e estratégias em relação à mídia.
4 - Como desenvolver novas formas de participação e do controle social sobre o Legislativo e o Judiciário? Como fazer com que o Legislativo, o Ministério Público (MP) e o Judiciário cumpram o seu papel de fortalecimento da participação e do controle social?
Após amplo debate, ficou consensuado que a Reforma Política seria o tema escolhido para concentrarmos nossas ações em 2006 e 2007. Reforma Política entendida aqui como um “campo temático”, em que os movimentos e redes podem concentrar energias, com base na perspectiva de mudança da cultura política e ampliação dos processos democráticos e que, em certo sentido, sintetiza as quatro grandes questões acima.
Para construir esta estratégia foi tirada uma agenda política para 2006/2007 dividida em três momentos:
1)Construção da minuta da “Plataforma da reforma do sistema político” e discussão no Fórum Social Brasileiro, realizado em abril de 2006, em Recife. O debate se deu por meio de três seminários: a) A re-configuração do campo democrático e popular e a busca de novas formas de se pensar e fazer política; b) Reforma política como ampliação da democracia e da participação; e c) participação e controle social: por onde navegamos?
2)Debate nos diferentes grupos, redes, fóruns, movimentos, organizações e articulações da minuta da plataforma (junho a outubro de 2006) e intervenção no processo eleitoral (discussão com os/as candidatos/as)
3) Consensuar proposta de reforma do sistema político (novembro de 2006) apresentando proposta de lei ao novo Congresso (2007).